081

 

Basta ! Chega de se apegar e sufocar nessa mágoa que habita teu peito. Aproveita que a era é de aquário e desapega, liberta, ligeiro ! O amor tem pressa de ser inteiro. Sente a vida no teu peito.

Eu já senti o gosto amargo de amar sem ser amado. Amar o vazio. O gosto de peito sufocado e o medo ali instalado, evitando qualquer arrepio. EU NÃO ACEITO MENOS DO QUE EU MEREÇA. Aprendi a ser inteira, eu sei qual é meu caminho. Meu peito não é seu porto seguro. Sou só mais uma nesse mundo, tentando seguir meu caminho.

Ninguém ama de peito fechado. Não te alimenta o teu trabalho, se você está sozinha. Você sabe compartilhar o caminho? Amor sabe da leveza do imprevisível, do encontro com seu fogo fino que arde com força de maré. Repare nos cacos do meu peito que eu tento colar, de novo… O afeto só precisa de espaço pra te afetar.

Acende o fogo sem ser queimado. O amor não precisa machucar. Mas, sendo humana, eu posso errar. Você sabe perdoar? Não tenha medo de errar pra aprender a acertar. Você sabe o que é amar? Por onde começar?

 

(Fernanda Abreu)

Anúncios
010
Peso. Fernanda Abreu (2013)

 

Cicatrizes

expostas por toda parte.

Será que você não vê

que meu peito ainda arde?

Medo ou coragem?

Me dou coragem,

diante de tanta solidão.

Tanto peso

no desespero

da multidão…

Só eu sei da minha história!

Você não sabe não.

Recomeço.

Todo dia.

E com razão!

Cada dia é um turbilhão.

E a cura pra tanta loucuraa

está em minhas mãos.

Cicatrizes…

Logo mais sarar elas vão.

(Fernanda Abreu)

DEGUSTE

080

 

Ás vezes eu me vejo ficando amarga…

Mas passa! E passa…

Já passou

Mas, como tudo na vida,

vai e volta, vai e volta…

Sem parar!

E, me desculpa se eu tiver amarga.

é só mágoa dessa estrada,

dessa vida… Fico cansada.

Certas vezes é tudo doce

e há cores,

abrem-se as flores

e eu me esforço pra permanecer

com o peito ainda aceso

-em luz, coragem, em amor mesmo…-

que é pra alma não morrer.

Doce, azeda, salgada ou amarga…

Não me falta sabor nem alma.

Nada mais me deixa assustada.

E eu insisto em sobreviver.

Rua parada, casa fechada,

criança dormindo e eu acordada

sem conseguir adormecer.

Pensa e tenta, movimenta…

É preciso estar atenta

que é pra tudo se mover.

Não fica desesperada!

Tenha calma…

Tenha calma…

Saboreia o que tiver que ser.

Tudo passa!

Inclusive eu e você!

Qual o gosto?

Pode comer.

Pode lamber.

Sabor e dor,

amor e prazer.

Só tem um jeito…

Experimenta pra ver!

(Fernanda Abreu)

Você tem uma pessoa?

é impossível ser feliz sozinho.

Vida de Índigo

É o primeiro post que escrevo na categoria Vida de Mulher, e poderia abordar muitos outros temas, mas quero aqui falar de um que é parte enorme da(S) minha(S) vida(S) e dizer por que acho que deveria ser assim com TODA MULHER: a amizade verdadeira, de longo prazo, que ultrapassa barreiras físicas e ideológicas. Com todos os eventos que aconteceram na minha caminhada, as mudanças, o des/novo-casamento, muitas pessoas saíram da minha vida, e uma parte das “melhores amigas” se foi junto. Mas não todas. Tenho ainda algumas (poucas, mas que valem por muitas) amizades de infância e adolescência, que “sobreviveram” a todas as mudanças que vivi. E na última semana tive o privilégio de passar um tempo curtindo uma delas, a MINHA PESSOA. (Se você assistiu à série Grey’s Anatomy, sabe o que essa expressão significa. Se não assistiu… bom, assista! Ver a relação entre a Mer e a Cristina…

Ver o post original 1.566 mais palavras

Tesoura do desejo

CAHL BA
Intervenção poética e artística nos muros do CAHL/UFRB.

Flutuar

pelos

curvas

do teu corpo.

E nossa fumaça

é pouca

pra tanto

fogo.

E o tempo

é pouco

pra tanto

desejo.

Carne nua.

Pele crua.

Nosso riso.

Nosso beijo.

Um sol

no céu da boca.

Rasga-me

a roupa.

Escondem-se de nós,

os medos.

ao corte

da tesoura do desejo.

Vem vindo a primavera!

E eu gosto

do gosto

do teu cheiro,

de flutuar teu universo

por inteiro.

Te encontrar

acalma meu peito.

E o teu beijo,

teu jeito, teu cheiro…

Me rega

e eu floresço.

(Fernanda Abreu)

Encosta

foto44
Doce BAHIA. agosto,2018.

 

Teu olhar no meu,

tua pele na minha,

teu sorriso no meu…

É um rio que escorria!

___

Silêncio. E paz.

Dentro e fora do peito…

E eu quero mais

do teu sabor, nosso beijo…

Em teus braços, teu colo

não cabe o medo.

Me denga que eu gosto.

Me come que eu deixo.

___

E eu me molho

quando sinto teu cheiro

habitando a memória do meu peito.

E eu desejo navegar teu corpo inteiro.

Me arrepia cada fio de cabelo !

___

Eu gozo em tua boca, teu dedo

(que rasga o céu do meu desejo).

Vem cá e descansa da vida, do medo.

Ás vezes só colo resolve o que não tem jeito…

Ter de ir, embora, fique um desejo

de que o fim de semana durasse um mês inteiro.

Mas, volta que eu deixo.

Sem culpa, ocupa meu corpo, meu beijo

Vem! Que eu te desejo.

Tenho uma sede sem fim, mesmo!

Teu rio deságua em meu (A)mar

e eu te bebo, te bebo, te bebo…

Vem ! Que eu te desejo.

(Fernanda Abreu)